segunda-feira, 22 de abril de 2013

wear it like armor

houve um tempo em que eu sabia o que queria. sabia também o que eu seria. eu tinha todos os planos e rotas de saída.
obviamente, quase nada aconteceu.

***
pensei seriamente em raspar os cabelos. na máquina mesmo. não cortar curtinho. raspar. ainda aninho a ideia com certo acalanto.

***
eu não sei o que tudo isso pode significar.


Let me give you some advice, bastard. Never forget what you are. The rest of the world will not. Wear it like armor, and it can never be used to hurt you. -- Tyrion Lannister

sexta-feira, 19 de abril de 2013

drops of sadness

e a vida, sempre ela, vem e me prova que sim, eu ainda posso chorar, mesmo que não tenha tempo. eu ainda posso chorar um rio.

***
e se soubéssemos que seria a última vez? a última conversa? a última piada contada e risada ouvida? e se soubéssemos que não seria um até logo e sim um até nunca mais? o que teria mudado? o que teríamos feito? teríamos dito coisas diferentes? pensado e sentido de forma diferente?

***
a sensação é de estar sendo engolida pela vida, que anda travestida de morte. ou talvez elas sejam a mesma coisa. as faces de uma mesma moeda que todo mundo tem no bolso.

***
me falaram que eu teria que entender, visto minha posição religiosa. mas eu não entendo, sinto muito. não dá pra entender. eu não sou tão evoluída assim. talvez, nesse sentido, eu não seja nada evoluída.

***
tudo perdeu o sentido. tudo ficou muito banal. porque conviver com a ideia da morte é uma coisa. ter ela ali, presente solenemente, à mesa do jantar, no café da manhã, no almoço apressado é outra coisa. muito mais densa e pesada. e inesquecível.

***
"o teto da felicidade foi rebaixado". se foi. nenhum sorriso será como antes. todas as alegrias serão pontuadas com um "e se ela estivesse aqui". mas ela não vai mais estar.

infelizmente.

sábado, 6 de abril de 2013

i am. i am. i am. (i am not in the end)

“I can never read all the books I want; I can never be all the people I want and live all the lives I want. I can never train myself in all the skills I want. And why do I want? I want to live and feel all the shades, tones and variations of mental and physical experience possible in life. And I am horribly limited.” ― Sylvia Plath

eu não tenho tempo para chorar. essa é a verdade. não posso chorar. nem sei mais se tem como produzir mais lágrimas. tenho medo de estar seca. horrivelmente limitada. tenho que repensar toda a minha vida. todo aquele futuro que há muito deixou de ser promissor. e ver o que eu posso fazer com aquilo que tenho.

e saber o que tenho antes disso.


sábado, 16 de março de 2013

i know i can't be free

quando só o amor não basta. quando a fé faz falta. quando a música cala. quando a tristeza volta. quando se morre sufocado nas próprias lágrimas. quando se engole o choro. quando se parte. quando se vai. quando se fica. quando não tem mais motivo. quando a vida segue. quando os dias passam. quando o barulho é surdo. quando o grito é mudo. quando se encolhe diante de algo menor. quando algo maior não é importante. quando se pensa. quando se diz. quando tenta. quanto tenta. como tenta. em vão.

terça-feira, 12 de março de 2013

timepiece people

há as pessoas-urgentes. aquele tipo para o qual tudo parece estar por um triz. o tom de voz delas é quase um imperativo-suicida. e elas precisam levar os outros para a urgência delas. seja qual for. essas pessoas são uma forma de agonia, para si, para outros. porque é isso que transmitem. a agonia do sempre-agora e exalam o cheiro do tempo findo. porque sempre é finito para elas. não conseguimos detectar o quê. mas é sempre aquele estardalhaço de que algo é tão iminente que, se você piscar... opa, já foi. e essas pessoas abominam reticências. são uma pausa que não querem dar. o inevitável, sempre ele, não há de chegar. ele já chegou.

***

em algum momento, fiz a escolha errada. não sei ao certo quando, mas esse momento existiu. a vida passa pela minha cabeça e eu tento detectar esse momento. acho que tem a ver com a graduação. acho mesmo. eu não faria o que eu fiz, apesar de ter gostado demais do curso. se a maré estivesse boa, encararia outra graduação. mas a maré está puxadíssima. em clima de ressaca total. e teve as outras escolhas, mas sobre essas, nem quero pensar.

***

blogues estão out. eu estou out. então, somos perfeitos um para o outro.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

when the air is so thick and opaque

sabe quando fechamos os olhos e uma imagem nos vêm à mente. a imagem de um detalhe, de algo a que não demos muita atenção ao longo do dia e que, de repente, toma-nos de assalto em um outro momento qualquer e sem motivo aparente. foi assim que me lembrei de uma foto que minha mãe me mostrou. a imagem de uma menina em tratamento contra câncer que meu padrasto apadrinha. ele sempre faz esse tipo de coisa. sempre nos ajudou muito e foi uma espécie de pai para mim e para meu irmão.

acontece que ele está depressivo. perdeu os dois irmãos em 2012. teve sequelas decorrentes de um derrame - o terceiro - no final de 2011. parou de trabalhar e acha que agora é um inútil. ontem, ele me falou isso com lágrimas nos olhos e hoje pela manhã, enquanto eu voltava para casa, ouvindo meu inseparável mp3, a foto da menininha me tomou de assalto. quando minha mãe a mostrou, eu não lhe dei muita atenção; estava fechando uma compra pela internet. mas, depois revivi a situação e queria que meu padrasto pudesse ler os meus pensamentos. ele não é um inútil. nunca foi. é de muita ajuda. para a menininha que sorria feliz e careca na foto e que prosseguiu o tratamento com ajuda dele, para mim, para meu irmão, para minha mãe. ele não é um inútil por não poder mais trabalhar e nem caminhar com destreza. as pessoas não são úteis ou inúteis. são pessoas boas ou más. e meu padrasto se encaixa na primeira leva.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

how we operate

a verdade é que, proporcionalmente, quase nada deu certo.

***
"Por muito tempo rolo no tapete,
Súbito me ergo. A lua é morta. Um frio
Cai sobre o meu estômago vazio
Como se fosse um copo de sorvete!" (Augusto dos Anjos)

e a sensação está longe, muito longe de ser agradável.